O Agente Noturno – 2ª Temporada
Se você assistiu à 1ª temporada de O Agente Noturno e leu a resenha do post anterior, seja muito bem-vindo à resenha da 2ª temporada! A série estreou no dia 23 de janeiro de 2025 na Netflix e, em menos de uma semana, já virou TOP 1 em mais de 90 países, incluindo o Brasil. 🔥
Se você ainda não leu a resenha da 1ª temporada, clica aqui
Como a 1ª temporada conquistou tanto o público quanto os críticos, a 2ª temporada chegou cercada de altas expectativas. Foram exatos 1 ano e 10 meses de espera entre as duas temporadas, devido à greve dos roteiristas em 2024 (quem sobreviveu a essa seca de séries sabe o drama que foi). Durante esse tempo, os fãs de The Night Agent (TNA), incluindo essa que vos fala, acompanharam cada bastidor das gravações, cada anúncio de novos atores e, claro, criaram mil teorias.
Ah, e aqui vai uma curiosidade: a série foi baseada em um livro! Isso mesmo! e claro, nesse intervalo, eu LI. A 1ª temporada adaptou a obra de Matthew Quirk, e se você quiser ler, o link está aqui: compre aqui (mas só tem em inglês, por enquanto). O detalhe é que o autor escreveu apenas um livro, então essa 2ª temporada é 100% original dos roteiristas da série.
Agora, sem mais delongas...
Vamos ao resumo, nota, discussões e análise! 🎬 A partir daqui contém Spoiller!!!
🚀 O começo: Peter some no mundo
Lembram do final da primeira temporada? Peter Sutherland (Gabriel Basso) aceitou o cargo de Agente Noturno, embarcou em um avião e sumiu, prometendo ligar para Rose (Luciane Buchanan) quando "chegasse lá". Pois bem, avançamos 10 meses e descobrimos que ele passou um tempo treinando na Alemanha e depois foi enviado para sua primeira missão na Tailândia (Bangkok).
É lá que ele conhece sua nova chefe, Catherine Weaver (Amanda Warren), e sua parceira, Alice Leeds (Brittany Snow), que já chega avisando: sem celular, sem contato com ninguém e, se possível, esqueça a Rose. Afinal, relacionamentos são perigosos para agentes secretos.
💣 A missão que deu tudo errado
A primeira missão parecia simples: seguir dois suspeitos sem ser notado. Um deles era Warren (Teddy Sears), um agente da CIA, que Peter e Alice acreditam estar vazando informações secretas dos EUA. Mas, como nada é fácil para nosso herói, tudo dá errado: eles são descobertos, Alice é assassinada e Peter desaparece do mapa por um mês.
Enquanto isso, nos EUA, Rose tenta seguir sua vida, trabalhando em uma empresa de tecnologia que basicamente espiona outras empresas para o mercado publicitário. Ela desenvolve um software chamado ADVERSE que usa reconhecimento facial para encontrar pessoas pelo mundo. Ela também está fazendo terapia para superar o caos da primeira temporada e, claro, sem notícias de Peter.
Até que, no meio de uma reunião, recebe uma ligação misteriosa de um número internacional dizendo que Peter está em perigo. Como boa parceira que é, ela usa o ADVERSE para encontrar uma pista. O resultado? Peter aparece no fundo de uma foto de hospital em Nova York. Sem pensar duas vezes, Rose parte para lá.
🎭 Quem está traindo quem?
Enquanto Rose rastreia Peter, descobrimos que ele voltou aos EUA (sem qualquer explicação de como) e está seguindo o filho de Warren, o agente da CIA que investigava na Tailândia. Mas por quê?
Aqui entra a grande conspiração da temporada:
Warren vendeu informações sigilosas sobre um projeto chamado Dedaleira (Floxgove, no original) para Solomon (Berto Colon). Solomon, por sua vez, repassou tudo para seu chefe, Jacob Monroe (Louis Herthum), que então vendeu os dados para a família de Viktor Bala, um ditador cujo país não é revelado na série.
O objetivo dos Bala? Provar que os EUA forneceram armas químicas para Viktor, que está prestes a ser condenado por genocídio em Haia. Com essa informação, eles planejam chantagear os americanos: ou libertam Viktor ou a verdade vem à tona. Esse era o plano de Tomás Bala (Rob Heaps).
Mas Markus, primo de Tomás, tem um plano ainda mais sombrio: fabricar novas armas químicas usando os dados vazados por Warren e lançá-las durante a Assembleia Geral da ONU, justamente quando a votação sobre a divisão dos territórios de Viktor Bala aconteceria.
O enredo se complica ainda mais com a entrada do Irã na trama. O regime iraniano queria obter uma lista de desertores que haviam fugido do país e encomendou essas informações a Joe Monroe, que as conseguiu por meio de uma diplomata francesa, Jackeline. No entanto, a informação acaba sendo interceptada por Noor (Arienne Mandi), uma funcionária da missão iraniana na ONU. Noor, que deseja pedir asilo nos EUA e trazer sua família para viver na América, age sob constante vigilância de Javad, o chefe da segurança iraniana e um leal soldado do regime islâmico.
Aqui, a trama ganha uma reviravolta: durante uma festa na embaixada iraniana, Noor, Peter e Rose arquitetam um plano para roubar a lista. Peter acaba capturado por Javad, mas Rose consegue fotografar os documentos usando o celular de Noor. Noor, então, ameaça apagar as imagens caso sua família não seja retirada do Irã imediatamente. Logo após essa tensa operação, acontece o único beijo da temporada entre Peter e Rose.
Quando Peter e Catherine finalmente analisam a lista, esperam encontrar informações sobre o projeto Dedaleira. No entanto, descobrem que os documentos não têm relevância alguma para os EUA – ou seja, estavam seguindo uma pista errada o tempo todo. Ainda assim, os arquivos não foram um desperdício, pois permitiram que eles rastreassem o vazamento até a diplomata francesa, que, por sua vez, os levou a Solomon.
A política externa dos EUA em relação ao Irã tem sido historicamente tensa, alternando entre confrontação e diplomacia. Desde a Revolução Iraniana de 1979 e a crise dos reféns, Washington impôs sanções econômicas e tentou conter a influência iraniana no Oriente Médio. O auge da diplomacia ocorreu com o Acordo Nuclear de 2015 (JCPOA), que restringia o programa nuclear iraniano em troca do alívio de sanções. No entanto, a saída dos EUA do acordo em 2018, sob Donald Trump, reverteu esse avanço, restabelecendo sanções severas. Desde então, as relações seguem instáveis, alternando entre tentativas de negociação e pressões econômicas e militares.
Diante desse cenário, quem tem familiaridade com Relações Internacionais pode ter se frustrado ao ver a trama sugerir um possível envolvimento iraniano na compra de armas químicas, apenas para revelar que o Projeto Dedaleira foi, na verdade, vendido para Viktor Bala, e não para o Irã.
🏃 Corrida contra o tempo
O problema? Solomon percebe a armadilha e mata sua informante francesa, além de quase acabar com Catherine.
Enquanto isso, Rose segue outra pista (que foi conseguida por Catherine quando ameaçou o Diretor da CIA jogando as cinzas de Alice na mesa do jantar) e vai atrás de um professor envolvido no Projeto Dedaleira, mas acaba sendo sequestrada junto com a família dele. E aí vem o momento decisivo:
- Peter precisa resgatar Rose, mas não tem nenhuma pista de onde ela está.
- Monroe, querendo recrutá-lo para o time dos vilões, faz uma proposta: roube um arquivo secreto da ONU e salve Rose.
E é aqui que Peter prova que ama Rose: aceita o plano e rouba o arquivo da ONU com a ajuda de Noor e entrega a Monroe.
🧐 O grande plot twist
O que tinha nesse arquivo? Provas de que Knox, ex-diretor da CIA e candidato à presidência dos EUA, vendeu armas químicas para Viktor Bala. Monroe, no entanto, não pretendia usar essas informações para ajudar Bala, mas sim para manipular a eleição.
Ele entrega tudo para seu verdadeiro parceiro, o governador Richard Hagen, o outro candidato à presidência, garantindo que ele vença as eleições e fique em dívida com ele.
No final, Catherine revela que uma fonte anônima vazou o arquivo para o The New York Times. Quem é a fonte anônima? O próprio Hagen, que está prestes a se tornar presidente dos EUA.
O que gostei e o que não gostei da 2ª temporada 🧐
Gostei muito da construção da narrativa desta temporada. Ainda não decidi se a considero superior à primeira, mas o desfecho me agradou imensamente. Não estou falando do destino de Peter e Rose, mas da forma como a trama abordou a compra e venda de informações internacionais e seu impacto nas eleições americanas.
Como doutora em Relações Internacionais (sim, eu estudo essas coisas na vida real! 😂), achei fascinante ver como o enredo usou a espionagem para explorar o poder da informação. Na minha dissertação de mestrado eu trabalhei esse conceito de "Informação é Poder". O personagem Jacob Monroe personifica muito bem esse conceito. Se os roteiristas decidirem aprofundar ainda mais esse tema na terceira temporada, poderemos ter uma trama ainda mais envolvente e realista.
Peter e Rose: faltou romance?
Lendo os comentários no Instagram oficial da série (@nightagentnetflix), é unânime a frustração dos fãs com a escassez de cenas românticas entre o casal principal. Como mencionei no post anterior, o final da 1ª temporada foi tão bonito que ninguém estava preparado para o choque emocional que essa nova fase traria. E o pior? O desfecho fez sentido dentro do roteiro. É triste? Sim. Mas não havia um caminho plausível para que eles terminassem juntos.
Entendo os desafios dos roteiristas em equilibrar fanservice, coerência narrativa e realismo. Ainda assim, o amor de Peter por Rose ficou claro em suas ações. Ele passou dez meses tentando esquecê-la (sem sucesso) e, no momento decisivo, trocou sua vida pela dela. Foi um daqueles gestos que dizem mais do que qualquer declaração apaixonada. A cena final da despedida dos dois foi emocionante (poderia ter rolado um beijo ali? Com certeza). Quando ele diz que ela "significa tudo para ele", é impossível não se emocionar. Quem chorou nessa cena... pode admitir!
Muitos criticaram a suposta falta de química entre os dois nesta temporada, alegando que Peter parecia frio. Mas eu discordo. A química ainda está lá: nos momentos de brincadeiras entre eles, no abraço depois dos pesadelos, no elogio antes da festa, no único beijo que compartilham. Peter passou grande parte da temporada tentando afastá-la para protegê-la, mas, toda vez que Rose cogitava voltar para a Califórnia, um dos dois hesitava. O problema nunca foi a falta de sentimentos, mas sim o choque entre o relacionamento e a nova realidade de suas vidas.
Na vida real, não é fácil mergulhar de cabeça em um romance que mal completou um ano, especialmente em meio a tantas complicações. Mas a separação de dez meses não foi boa para nenhum dos dois. A própria Catherine diz a Rose que Peter é melhor ao lado dela. Rose é a bússola moral do nosso agente, algo reforçado na cena em que Samir Saidi explica que, para avaliar suas próprias ações, ele pensa no que sua irmã mais nova diria – e, quando pergunta a Peter se ele tem alguém assim, a cena corta diretamente para Rose.
Um dos pontos mais interessantes da temporada foi a forma como Peter lidou com esses dilemas morais. Quando ele aceita trair seu país para salvar Rose, fica claro que ele ainda não estava pronto para ser um verdadeiro "Agente Noturno". Ele teve que tomar uma decisão difícil:
- Fugir com Rose
- Se entregar e enfrentar a prisão.
- Fugir sozinho
Em todas essas opções, ele perderia Rose. Pois, na primeira opção, ele também condenaria a vida dela, obrigando-a a abandonar o trabalho, os amigos etc. Então, ele escolheu o caminho mais sensato – e o mais ético e se entregou a polícia.
Os vilões: Ninguém é 100% bom ou mau
Um dos pontos altos da temporada foi a construção dos antagonistas. A série reforçou a ideia de que ninguém é completamente herói ou vilão.
- Solomon mata e rouba, mas tudo o que faz é para proteger sua irmã.
- O embaixador iraniano permite que Noor escape para salvar sua própria filha.
- Noor trai o país dela para salvar a família do regime ditatorial.
- Até o homem que Peter matou em Bangkok ganha uma nova perspectiva quando Solomon menciona que 48 pessoas compareceram ao seu enterro – amigos e familiares que o amavam.
- Tomás Bala se envolve no plano terrorista para provar seu valor ao pai, mas desiste ao imaginar a decepção de sua noiva, Sloane.
- Até Jacob Monroe desperta um traço de simpatia ao conceder um aumento de 15% a Solomon.
Mas Javad? Esse não dá para engolir. Muitos fãs nas redes sociais curtiram a dinâmica dele com Noor, mas eu torci para ele se dar mal. Sua motivação até faz sentido dentro de sua crença cega no regime iraniano e nos costumes islâmicos, mas, para mim, não cola. Amei a surra que ele levou de Peter no metrô.
Isso adiciona camadas de complexidade à história e evita aquele maniqueísmo óbvio de "mocinhos contra bandidos".
Destaque também para a cena em que Noor recebe um cheque pela morte do irmão e percebe que, no fim das contas, os EUA nunca se importaram realmente com ele. Essa cena foi de partir o coração. 💔
O final de Peter e o que isso significa para a 3ª temporada
A série deixou um ótimo gancho para a próxima temporada: Peter terá que atuar como agente duplo – exatamente como seu pai – trabalhando para Monroe e Catherine ao mesmo tempo. Isso significa que esses três personagens precisam estar na 3ª temporada.
Além disso, a conversa entre Monroe e o futuro presidente dos EUA, o governador Richard Hagan, indicou um embate inevitável entre os dois sobre quem realmente está no comando. Onde Peter se encaixará nisso? Ele precisa ganhar a confiança de Monroe, mas e se a investigação o levar até o presidente? E se Hagan tentar "comprar" Peter? Os roteiristas já confirmaram o retorno do ator que interpreta Hagan, assim como Jennifer Morrison, que interpretará a primeira-dama, clique aqui.
Outro gancho confirmado é o retorno de Chelsea Arrington. Na 1ª temporada, ela se tornou chefe de segurança da presidente Michelle Travers e, no último episódio, apareceu fazendo a segurança de Hagan. Com a eleição dele, Chelsea agora será segurança do presidente. Mas e se a investigação de Peter levar diretamente a Hagan? Ele e Chelsea estarão em lados opostos? Vale lembrar que Peter ajudou Chelsea a encontrar Maddie na primeira temporada, e os dois terminaram como amigos.
E Noor? Será que ela estará na 3ª temporada? Sua amizade com Rose foi só um momento bonito no final ou terá um papel maior na trama? Os produtores ainda não confirmaram seu retorno.
Agora, a pergunta mais importante: Rose estará de volta? Quem prestou atenção percebeu que a série deixou uma porta aberta para o retorno dela. No meio da temporada, o chefe de Rose elogia suas alterações no software ADVERSE e diz que ele será vendido para governos e empresários. Rose exige uma comissão de ética para evitar que o programa caia em mãos erradas. Isso pode ser um indício de que o ADVERSE será desviado e, de alguma forma, se conectará à investigação de Peter.
Outro detalhe crucial: na cena de despedida, Peter pede que Rose prometa não procurá-lo mais... E ELA NÃO PROMETEU!
Nas redes sociais, o fandom está em polvorosa, porque os produtores ainda não confirmaram o retorno de Luciane Buchanan (Rose), e as filmagens já começaram. A situação piorou quando a atriz fez um post no Instagram agradecendo à equipe da série e usou uma legenda com tom de despedida (clique aqui). O resultado? Milhares de comentários exigindo sua volta na conta oficial da série, ao ponto de desativarem os comentários.
Ainda acho que isso pode ser jogada de marketing, e que vão anunciar o retorno dela mais para frente. Mas, se for verdade e Rose realmente não voltar, a Netflix estará dando um tiro no pé. Eu tento ser imparcial nas minhas análises, mas, sou fã – eu quero service!
E sabe o que seria ainda melhor? O retorno do pai de Peter. Na 1ª temporada, foi dito que ele foi morto após se tornar agente duplo... Mas será que foi mesmo? Com a tecnologia das agências de inteligência, forjar um acidente de carro não seria nada difícil. Se ele estiver vivo e envolvido em uma missão secreta, isso poderia se encaixar perfeitamente nos eventos da nova temporada. (Essa teoria é minha, tá? Não li isso em lugar nenhum!)
Minha nota: eu sigo no 10,00 da 1° temporada
O Rotten Tomatoes é um site de referência na avaliação de filmes e séries, agregando críticas especializadas e do público geral. Ele utiliza um sistema de pontuação chamado Tomatómetro, que calcula a porcentagem de aprovação de uma obra.
Enquanto a 1ª temporada recebeu notas altas tanto dos críticos quanto do público, a 2ª temporada teve um desempenho diferente: os críticos aprovaram, mas a avaliação do público caiu para 59%, em comparação aos 78% da primeira temporada.
Minha análise? Quem conseguiu enxergar o enredo além do romance, como eu, viu uma temporada excelente. Mas o público geral gosta de finais felizes – e o casal principal termina separado. A 1ª temporada teve um desfecho otimista, enquanto a 2ª termina de forma melancólica e triste.
Outro fator que pode ter contribuído para a recepção morna do público foi a falta de conexão direta entre a trama do Irã e a das armas químicas. Foram cerca de quatro episódios acompanhando Noor espionando o embaixador, tirando fotos, negociando com os EUA e se arriscando, além de um episódio inteiro dedicado à festa na embaixada – tudo isso para, no fim, descobrirmos que o conteúdo da mala marrom não tinha impacto direto na trama central.
Pessoalmente, eu gostei dessa abordagem, pois reforçou como Jacob Monroe negocia diversas informações ao redor do mundo ao mesmo tempo. No entanto, entendo quem achou a narrativa um pouco dispersa ou desconectada do conflito principal.
Curiosamente, a nota da crítica especializada para a 2ª temporada é ainda maior do que para a 1ª, o que reforça a ideia de que, narrativamente, a série evoluiu, mesmo que o público não tenha gostado tanto do desfecho, clique aqui
Agora, só nos resta torcer para que a Netflix não demore mais dois anos para lançar a terceira temporada! 😂
E você, o que achou? Concorda? Discorda? Quais suas apostas para o futuro da série? Deixe sua opinião nos comentários! 🗣️✨

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