Bridgerton: 1° Temporada - Diferença entre série e livro


Querido e gentil leitor (sempre quis escrever isso),

Recentemente, me aventurei pelos livros de Julia Quinn e devorei, em apenas quatro dias, o primeiro volume da saga BridgertonO Duque e Eu. Quando a série da Netflix se tornou um sucesso em sua estreia, em 2020, eu estava trancafiada em casa, em meio a uma pandemia, com uma criança de dois anos e meio sem poder ir à escola e grávida da segunda filha. Demorei a assistir à primeira temporada. Confesso que fui movida pelo hype da internet e, até então, não conhecia os livros.

Cinco anos se passaram. Assisti às três temporadas da série, mas ainda não tinha comprado os livros. Com duas crianças pequenas, as demandas do dia a dia foram muitas, mas a criação deste blog reacendeu minha vontade de me perder nos romances. E, claro, o desconto da Semana do Consumidor na Amazon ajudou.

Antes de mais nada, quero deixar claro que não sou o tipo de fã que assiste às adaptações apenas para criticar e apontar diferenças entre o livro e a série. Pelo contrário: adoro ver meus personagens literários ganharem vida na tela, com rostos, vozes e gestos próprios. Quando leio os livros, inevitavelmente imagino os atores interpretando as cenas, suas expressões, entonações e trejeitos.

É fato que literatura e televisão são mídias diferentes, cada uma com suas particularidades. Na literatura, um personagem pode refletir sozinho, permitindo que o leitor mergulhe em seus pensamentos, medos e desejos. Na TV, esse mesmo personagem precisa se expressar de outra forma – geralmente conversando com alguém – para que seus sentimentos sejam compreendidos. Além disso, enquanto os livros podem se concentrar em um grupo reduzido de personagens, as séries costumam precisar de mais núcleos, encontros e desencontros para manter o dinamismo. Por isso, respeito as adaptações e entendo a necessidade de mudanças.

Dito isso, resolvi escrever não apenas sobre a primeira temporada de Bridgerton, mas também sobre as principais diferenças entre a série e o livro – e posso adiantar que são muitas! 

Preparados? Então vamos lá… Bem-vindos à Londres de 1813!

 

📌 1. A relação entre Lady Danbury e Simon

📺 Na série: Lady Danbury era a melhor amiga da mãe de Simon e, após a rejeição do pai, assumiu sua educação como uma espécie de madrinha. Por isso, no início da história, Simon aceita ficar hospedado na casa dela.

📖 No livro: Quem assume a educação de Simon é a governanta da família Hastings. Lady Danbury e Simon não possuem qualquer relação além de uma simpatia mútua, já que ela era tia de um amigo dele. Simon respeita Lady Danbury, mas não chega a interagir com ela como acontece na série.

💎 2. Daphne não é o "diamante da temporada"

📺 Na série: Daphne é escolhida pela rainha Charlotte como o grande destaque da temporada de casamentos.

📖 No livro: Daphne não recebe esse título e, pior ainda, já está no seu segundo ano tentando encontrar um marido. Ou seja, ela já é considerada "encalhada" para os padrões da época. Toda a cena de apresentação à sociedade que vemos na série, simplesmente, não existe no livro.

👑 3. A rainha Charlotte não aparece nos livros

📺 Na série: A rainha Charlotte tem um papel de destaque, comparecendo a bailes, tramando casamentos e, claro, lendo avidamente as fofocas de Lady Whistledown e entrando em conflito com ela.

📖 No livro: A monarquia britânica é mencionada apenas de forma genérica, sem citar nomes do rei ou da rainha. A personagem Charlotte não existe na história original. Porém, há um livro posterior de Julia Quinn chamado Rainha Charlotte, que inspirou a série spin-off da Netflix e pode ter servido de base para sua inserção em Bridgerton.

🤝 4. Muitas interações entre personagens não existem nos livros

📺 Na série: Vemos a amizade de Penelope e Eloise, o crescimento da relação entre Lady Violet Bridgerton e Lady Danbury, além de conversas profundas entre Benedict e Eloise no balanço. Também há tramas envolvendo a família Featherington e suas dificuldades financeiras e a relação de Penelope com sua mãe e suas irmãs.

📖 No livro: O foco é totalmente em Simon e Daphne. Personagens secundários aparecem, mas suas histórias são apenas pinceladas. Não temos absolutamente nada de Eloise e Penelope, Violet e Danbury nem detalhes da família de Penelope. Vejam bem. Eu não estou dizendo que os livros não tratem desses personagens, apenas estou dizendo que no livro 1 não tem nada sobre essas relações. Eu ainda não li os outros livros então, acredito que a história de Penelope e sua relação com Eloise seja contada no livro dela e do Colin que é o livro 4 (Os segredos de Colin Bridgerton). Eu acredito que a série foi colocando elementos dos próximos livros e desenvolvendo os personagens a cada temporada. Por isso, só posso afirmar se essas interações são semelhantes a literatura quando chegar nesses respectivos volumes.

Pequeno detalhe: Nos livros, Penelope tem mais uma irmã além de Philippa e Prudence, uma menininha de 10 anos e o pai já está morto há anos, ele não morre durante o desenrolar dos acontecimentos como na 1 temporada da série.

🤴 5. O príncipe não existe nos livros

📺 Na série: O sobrinho da rainha Charlotte aparece como pretendente de Daphne e quase a pede em casamento. Na série, Simon fica com ciúmes do quase noivado dos dois e vai atrás de Daphne no baile de Lady Trowbridge e ambos se beijam no jardim e são flagrados por Anthony que obriga o duque a casar com a irmã. Nessa parte da série, Daphne e Simon já tinham encerrado o noivado falso e ela estava com raiva dele. Nos livros, até esse momento os dois ainda estão fingindo estar noivos e estão apaixonados e é Daphne que convida o duque para passear nos jardins e os dois acabam se beijando e são flagrados por Anthony. Alias, essa cena no livro é mais quente que na série, porque quando Anthony pega os dois, Daphne já está sem vestido, não foi um simples beijo como na série.

📖 No livro: Como não há rainha Charlotte, também não há príncipe. A história de Simon e Daphne segue um caminho diferente, sem esse triângulo amoroso. Ah, no livro não tem a personagem de Cressida Cowper (eu já li na internet que a Cressida só aparece no livro 4, então a série a introduziu antes). Então, na série ela vê Daphne e Simon no jardim, mas, no livro, não. Existe no livro um personagem que é citado por Daphne como sendo uma pessoa que, possivelmente, viu os dois saindo para o jardim: o Duque de Middlethorpe, um velho que era amigo do pai de Simon e que entregou a Daphne um monte de carta velha do duque de Hasting para o filho. Na série eles substituíram esse personagem pela Cressida.

🥊 6. Will Mondrich e sua família não existem nos livros

📺 Na série: Will Mondrich, o boxeador e amigo de Simon, tem um arco próprio e um desenvolvimento interessante. Então todas aquelas cenas do clube, de Simon lutando com ele, o acordo com o pai de Peneleope para perder a última luta de proposito, das cenas entre ele e a mulher, não existem nos livros. Não sei se esse personagem aparece em algum outro livro ou não. Na terceira temporada, ele teve um peso importante, pois virou um lorde, depois de herdar uma propriedade de uma velha tia rica.

📖 No livro: Esse personagem simplesmente não existe.

✍️ 7. A identidade de Lady Whistledown não é revelada no primeiro livro

📺 Na série: A primeira temporada termina com a grande revelação de que Penelope Featherington é Lady Whistledown.

📖 No livro: A identidade de Lady Whistledown só é revelada no quarto volume da saga. Eu ainda não li o livro 4 mas, já li essa informação na internet.

🤰 8. Marina e seu escândalo com Colin não existem nos livros

📺 Na série: Marina Thompson chega à cidade, grávida, e quase se casa com Colin Bridgerton antes de ser desmascarada.

📖 No livro: Marina sequer existe nesta fase da história. Eu já li na internet que no 5 livro (o livro da Eloise) Marina é uma prima distante da família Bridgerton (e não da família Featherington) que casa com Sir Philipe Crane e falece logo em seguida e Eloise vai se apaixonar por esse Sir Philip Crane. A série mostra esse Sir Philip no último episódio da 1° temporada. Ele aparece como sendo o irmão do pai do bebê da Marina e se oferece para casar com ela. Ou seja, a teoria é que a série pegou essa personagem (Marina) deu uma mudada na história dela (inventando esse escândalo com o Colin) mas, que na 5° temporada, Marina vai morrer e Eloise vai se apaixonar pelo marido da falecida. Aguardemos.

🔥 9. Simon e Daphne: diferenças marcantes

Vamos lá! Simon e Daphne se conhecem no primeiro baile em ambos os universos. Na série, ela esbarra nele e pergunta seu nome tentando fugir de um pretendente que está atrás dela: Nigel Berbrooke. Então, ela puxa conversa com ele. Nos livros, a primeira vez que Simon vê Daphne é quando ela dá um soco em Nigel. Nos livros, essa cena acontece dentro do salão de baile, mas em um corredor afastado. Na série, isso acontece nos jardins, depois de Daphne e Simon já terem se conhecido e se estranhado.

A ideia de começar um noivado falso acontece depois dessa cena na série. Nos livros, depois de salvar Daphne de Nigel, Simon segue para o baile, conversa com os irmãos Bridgerton e só depois é apresentado a Daphne. A ideia do noivado falso para atrair pretendentes para ela e afastar as mães e mulheres solteiras dele surge bem depois disso.

O livro segue a mesma sequência da série, com os dois firmando um compromisso falso. Anthony, como sempre, inferniza a vida de Simon e da irmã, dizendo que ele não presta. Benedict e Colin também ficam com o pé atrás com o duque por causa de sua má fama, enquanto Violet fica feliz da vida porque a filha vai se casar com um duque. À medida que os encontros acontecem, os dois vão se apaixonando, assim como na série. Nos livros, conseguimos acompanhar mais a fundo os sentimentos de ambos.

Na série, conforme Simon se aproxima de Daphne, ele começa a ficar receoso por causa da promessa que fez de nunca se casar nem ter filhos. Ele briga com ela, termina tudo, ela quase noiva do príncipe, ele fica com ciúmes e acontece a cena nos jardins. No livro, essa sequência é diferente. Como já expliquei, quando Simon é forçado a se casar com Daphne, ele ainda está noivo dela. Não existe príncipe. Porém, ele fica se remoendo por dentro, dizendo que não pode casar com ela por causa da promessa, mas ele não externa isso para Daphne nem chega a acabar o noivado falso.

Depois da cena do jardim, acontece o duelo, assim como na série. Depois de ser flagrado por Anthony, Simon diz que não vai se casar com Daphne. Só aí Daphne começa a ficar indignada, porque ele prefere morrer a casar com ela.

O duelo acontece da mesma forma que na série, quando Simon confessa para Daphne que não pode ter filhos e que ela será infeliz com ele, já que sonha em ter uma família grande. Eles se casam, com a diferença de que, na série, Simon está em conflito com essa decisão. Ele fica bêbado na véspera da festa e mal consegue falar com Daphne. No livro, depois que ela diz que aceita se casar com ele mesmo sem poder ter filhos, ele aceita de maneira mais tranquila. Eles até sorriem durante o casamento e contam piadas na festa.

A cena da noite de núpcias nos livros também acontece na hospedaria no meio da estrada, quando ambos estão a caminho do castelo do duque, assim como na série. Porém, na série, eles ainda estão em conflito. Simon não aceita a ideia de que fará Daphne infeliz. No livro, a discussão da noite de núpcias acontece por outro motivo: Simon pede quartos separados na hospedaria porque não quer que a primeira noite da esposa seja em um lugar tão simples. Ele queria esperar chegar ao castelo. Só que ele não explica isso para ela, então Daphne pensa que ele não pode consumar o ato sexual porque não pode ter filhos. Quando ela fala isso para ele, Simon começa a rir e decide provar que pode, sim, consumar o casamento. Aí, eles têm a primeira noite deles.

A vida deles no castelo de Clyvedon é mais intensa na série: aquele monte de cenas de sexo em todas as partes do castelo durante a lua de mel só existe na série. O livro apenas menciona que eles estavam felizes e fazendo amor todos os dias, sem muitos detalhes (fiquei decepcionada, confesso).

No livro, não tem aquela cena dela indo à feira do ducado, escolhendo porcos e aprendendo a ser duquesa. Nada disso. Aí, pulamos para a parte em que ela descobre sobre as sementes de Simon. Assim como na série, ela descobre conversando com a governanta do castelo. Mas, na série, essa conversa acontece depois que ela tem um estalo sobre o motivo de Simon “jogar as sementes fora”. Aí, ela vai perguntar à governanta como os bebês são feitos. Depois, no ato sexual seguinte, ela impede Simon de se retirar para confirmar sua teoria de que ele pode, sim, ter filhos, mas simplesmente não quer.

No livro, ela confronta Simon sobre o sêmen depois de conversar com a governanta e o faz admitir que não quer ter filhos. Então, eles brigam, e ela vai embora do quarto dele. A partir daí, passam a viver separados. Mas, uma noite, ele bebe muito e ela se aproveita, seduzindo-o e impedindo-o de se retirar até que ele "jorre a semente dentro dela". Entenderam a diferença? Na série, ela usa o ato sexual para confirmar sua teoria de que ele está enrolando ela. No livro, ela já sabe que ele não quer ter filhos e, deliberadamente, seduz Simon para engravidar em uma noite em que ele está bêbado (UAU!).

No dia seguinte, Simon vai embora com raiva dela porque se sentiu manipulado, e Daphne volta sozinha para Londres. A série usa o escândalo envolvendo Colin e Marina para que o duque e a duquesa retornem a Londres. Mas, como no livro não existe a personagem Marina e Colin não tem envolvimento com ninguém, Daphne volta sozinha e passa a viver na casa de Simon em Londres, alimentando os boatos de Lady Whistledown.

Ela espera dois meses para confirmar se está grávida ou não e, como a menstruação não vem, manda Anthony entregar uma carta a Simon contando que está grávida. Ele volta para Londres depois de receber essa carta. Porém, quando chega lá, vê Daphne andando a cavalo. Ela cai, e ele corre para socorrê-la, preocupado com o bebê. Só aí nós, leitores, descobrimos que, dois dias antes da chegada de Simon (ele levou muitos dias de viagem entre a entrega da carta e sua chegada), Daphne sangrou, ou seja, ela não estava grávida.

Portanto, no livro, não existe aquela cena em que eles estão na ópera e ela sente a menstruação descer. É tudo diferente. Simon nem está com ela nesse momento.

Mas, depois disso, eles conversam. Simon diz que sente falta dela, que a ama, blá-blá-blá, e que seu pai morto não pode definir sua vida para sempre. Então, eles resolvem que terão filhos e viverão felizes para sempre.

Na série, o primeiro bebê deles é um menino. Mas, no livro, eles têm três meninas antes e somente o quarto filho é um menino. E, claro, os nomes seguem a ordem alfabética da família Bridgerton: Amelia, Belinda, Caroline (meu nome! Que lindo) e David.

Conclusão

Querido e gentil leitor,

Após terminar o primeiro livro da saga, esta autora está mais do que satisfeita com as adaptações da série. Livros sempre serão mais detalhados e, na maioria das vezes, superiores às suas versões para as telas. No entanto, não considero que as alterações feitas na história deste primeiro volume tenham impactado negativamente o resultado belíssimo que foi a primeira temporada.

Como mencionei no início, para que produções televisivas não fiquem maçantes, é necessário ter vários núcleos interagindo. A inserção de personagens que não existem no livro, ao contrário do que poderia parecer, não foi um problema. Pelo contrário, achei a inclusão da Rainha Charlotte muito interessante, assim como a dos demais personagens.

Eu sei que Penelope e Eloise terão seus momentos de destaque em seus respectivos livros, mas senti muita falta delas. Amo a amizade das duas! Também senti falta de mais interações entre os irmãos Bridgerton no livro. Embora ele traga um pouco da relação de Daphne com Anthony, Benedict e Colin, gosto muito das interferências de Eloise e das brigas de Hyacinth e Gregory.

Confesso que achei os panfletos de Lady Whistledown melhores na série. No livro, eles são apenas recadinhos curtos, fofocas soltas. Já na série, ela é retratada como uma grande escritora. Talvez sua escrita vá evoluindo ao longo dos livros. Aguardemos.

Sei que as maiores polêmicas sobre a adaptação giram em torno da segunda e terceira temporadas. No entanto, como ainda não li esses dois livros, prefiro deixar para opinar após finalizar as leituras.

No mais, seguirei firme na leitura dos próximos volumes e, é claro, acompanharei as próximas temporadas da série.

Até mais!

 


 

 

 

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